SU MONOGRAFIA CDA

Marzo 12, 2008

ENSINO SUPERIOR COMO MERCADORIA – tema para tcc

Depois das mobilizações contra a LOU, o Relatório Bricall se encarregou de pôr os pontos sobre os Is, traduzindo palavra por palavra aquelas recomendações:

Através de Monografia Ac – monografias e projetos sobre educação

- tinha que passar da Universidade de massas, em franca decadência, a uma Instituição formadora de capital humano;

- tinha que substituir o conceito do ensino superior como um direito e um bem social, por sua consideração como uma mercadoria e um investimento;

- tinha que abandonar a velha idéia do ensino público e de qualidade para entrar na era da privatização das prestações cognitivas;

- tinha que deixar de pensar numa universidade radicada num território para localizá-la como uma agência globalizada num ranking internacional;

- tinha que substituir na medida do possível a universidade presencial pelo ensino virtual.

Neste processo o alvorecer das novas tecnologias da informação e a comunicação escureceu a adequação do novo modelo às exigências de um novo tipo de capitalismo que, juntamente com outros autores, denominamos capitalismo cognitivo.

Neste novo tipo ou fase do capitalismo, uma porção crescente de capital se investe e se rentabiliza em produtos “cognitivos” ao mesmo tempo em que cresce, imparável, o número destes trabalhadores sobre o conjunto global. Falamos do crescimento de investimentos em investigação, em I+D, em previdência e ensino, em informática, telemática, novas fontes de energia e novos materiais, vistos não só por sua contribuição quantitativa ao crescimento em seus setores específicos, senão pelo enorme peso que adquirem no aumento da produtividade geral.

Que é um ‘bem cognitivo’?

Dito em outras palavras, como se fabrica uma nova vacina, como se desenvolve uma nova ferramenta de software, como se descobre uma nova prestação?

Os ‘bens cognitivos’ são resultado de um processo que tem, quando menos, duas características notáveis. Em primeiro lugar, são efeito de um processo coletivo: nenhum gênio teria conseguido descobrir nada relevante se não tivesse contado com equipes adequadas e recursos suficientes. Isso implica que os processos de criação de conhecimento incluem longas seqüências de recopilação e tratamento da informação, de provas e ensaios, de postas a ponto, de correção e ampliação, impossíveis para um só agente.

A forma standard de privatizar esse processo coletivo a proporciona o sistema de patentes e direitos de autor que, ainda que cumprisse uma função no século XVIII para garantir a subsistência dos criadores, está resultando obsoleta. A segunda característica é que estes bens, por muito que se reproduzam, não se esgotam, nem diminuem em sua eficácia.

Mais propriamente ao invés, seu uso deve a ocasião de enriquecimentos e melhoras do próprio produto, que incorpora novas prestações. Isso faz que a sociedade baseada no conhecimento seja, ao menos teoricamente, uma sociedade potencialmente rica, ainda que os entraves postos ao acesso aos bens podem fazê-la sumamente injusta e polarizada.

Estas duas características se aliam no tratamento da universidade como grande fábrica de posta a ponto de recursos cognitivos sob o domínio da ideologia da privatização. Trata-se, por uma parte, de capacitar o futuro ‘capital humano’ sob a premissa de que os conhecimentos que o aluno/a vai receber são uma espécie de capital ‘’ que lhe permitirá optar a um melhor posto de trabalho e que, portanto, deve ‘pagar’ com um desembolso prévio privado, pois privados serão os benefícios que obtenha posteriormente no exercício de sua profissão, sendo só responsabilidade sua se não o rentabiliza adequadamente.

Por outra parte, trata-se de produzir bens intangíveis cuja inserção nos mecanismos da apropriação privada fiquem garantidos através das patentes e dos concertos com as empresas antes de sua obtenção.

Como conseqüência de tudo isso as autoridades públicas se desentendem do financiamento. Verdade é que os enormes gastos destas instituições extravasam em ocasiões os limitados orçamentos dos poderes autonômicos mas, como em tantos outros aspectos da vida social, a tendência é deixá-las a graça do mercado, de maneira que cada universidade se auto-financie, coisa que só pode fazer na medida em que o ensino seja pago pelos alunos -usuários do serviço- e que as empresas ou outros organismos financeiros se interessem pelos produtos que geram essas especiais empresas: as capacidades desenvolvidas nos alunos-futuros trabalhadores (“habilidades e competências”) e os conhecimentos suscetíveis de serem rentabilizados, para o qual devem estar convenientemente protegidos.

No entanto, este não é o desafio. O desafio está em separar a Universidade do mercado e acercá-la a todos aqueles processos sociais que estão lutando contra as novas formas do capitalismo cognitivo: da luta pelo território ao software livre, dos processos de auto-formação às investigações participativas.

AD Monografias – Pronta monografia em educação com confiança

Potenciar essa opção nos permitiria dizer um adeus esperançoso à Universidade de massas, e opor ao modelo neoliberal uma criação em comum de conhecimentos compartilhados.

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